Tributo a Lauryn Hill, a mixtape

No embalo das comemorações em torno do álbum The Miseducation of Lauryn Hill (que completou vinte anos no dia 25/08), relembremos a mixtape organizada por DJ Mpenzi. Só dar play.

Tracklist
Intro
When It Hurts So Bad
Sweetest Thing
Tell Him
Superstar
Vocab (Refugees Hip-Hop Mix)-Fugees
To Zion
Can’t Take My Eyes Off Of You
I Used To Love Him
Ready Or Not-Fugees
Fu-Gee-La-Fugees
All My Time
Interlude
Killing Me Softly-Roberta Flack
Killing Me Soflty-Fugees
This They Say- Method Man Feat. Lauryn Hill
Don’t Cry Dry Your Eyes- Fugees
If I Ruled The World-Nas Feat. Lauryn Hill
All That I Can Say-Mary J. Blige Feat. Lauryn Hill
Ex-Factor(Simple Mix)
Every Ghetto Every City
Nappy Heads(Remix)-Fugees
Boof Baf-Fugees
The Sweetest Thing(Remix)
Doo Woop (That Thing)
Forgive Them Father
Outro

O reggae dos Rolling Stones

“Cherry Oh Baby” foi lançada em 1976 no álbum Black and Blue, marcando um raro retorno do grupo ao mundo dos covers (algo que eles praticamente abandonaram depois dos anos 1960).

A composição é de Eric Donaldson, e data de 1971. A versão dos Stones foi gravada em 1973, nas sessões do álbum Goats Head Soup, na Jamaica.

Ao longo da produção de Black and Blue, a banda pôde fazer o primeiro registro sonoro com o novo guitarrista, Ron Wood, na faixa “Hey Negrita”. Em outros takes, as seis cordas eram revezadas entre os integrantes.

Ouça a versão original de “Cherry Oh Baby”, com Eric Donaldson:

Charlie Watts certa vez declarou:

A influência do Reggae nas músicas de Black And Blue vieram principalmente de Keith (…) Mick certamente estava focado no reggae. Eu tinha todas as gravações (de reggae) comigo quando nos mudamos para a França e quando estávamos gravando faixas para o Exile On Main Street, na casa de Keith. Eu tocaria “Cherry Oh Baby” para ele ou ele a tocaria para mim. The Harder They Come foi um álbum que Keith ouvia muito.

É verdade que a versão dos Stones é meio quadradona, mas vale pela curiosidade. A faixa ainda contou com Mr. Billy Preston nos teclados.

Bônus: Uma raríssima gravação ao vivo da canção, captada em 1976 na França:

A primeira vez do Pearl Jam na Europa

No dia 3 de fevereiro de 1992, o Pearl Jam se apresentou pela primeira vez no continente europeu. Na ocasião, a banda promovia seu álbum de estreia, Ten, lançado em agosto de 1991. E apesar da péssima ou quase inexistente divulgação do show, o grupo conseguiu reunir 300 pessoas no The Esplanade Club, em Southend, Inglaterra.

Entre os vários momentos de interação protagonizados pelo vocalista Eddie Vedder e a plateia, destaque para o pedido de “‘Hunger Strike” (educadamente respondido com a frase “Mr. Cornell, are you here? If Chris is here, we’ll play it”) e a quase versão de “Outshined”, do Soundgarden.

No dia seguinte, a banda fez outra estreia, desta vez na televisão europeia, pelo The Late Show, da BBC2 . A turnê continuaria por outros países do velho mundo, como Noruega, Suécia, Holanda, França, Espanha e Itália.

Mas vamos ao que interessa, a primeira vez do Pearl Jam na Europa. Play!

Setlist
1 Wash – 04:17
2 Once – 03:25
3 -banter- – 01:55
4 Even Flow – 05:21
5 State Of Love And Trust – 04:07
6 Alive – 05:42
7 Black – 05:41
8 Why Go – 03:24
9 Jeremy – 05:01
10 Outshined – 00:40
11 Leash – 02:40
12 Jam – 02:47
13 Porch – 06:16
14 -chant- – 01:41
15 Release – 05:08
16 Breath – 06:12

Uma pequena história sobre “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan

Degenerando

Entre os dias 15 e 16 de junho de 1965, Bob Dylan gravou aquele que talvez seja o seu maior clássico: “Like a Rolling Stone”.

Enquanto a compra de Hi Lo Fi estava sendo efetuada, Bob trabalhava em Nova York na música que talvez seja sua canção mais famosa, “Like a Rolling Stone”. A palavra que usava com maior frequência quando falava da música era “vômito”. O extravasamento de desdém fora como um “vômito”, disse ele, criado como um texto no estilo de Kerouac, “que tinha uma estrutura muito ‘vomitífica’”. Ele também a descreveu, em seu modo obscuro, como “… uma coisa rítmica no papel totalmente sobre meu ódio constante direcionado a alguma coisa que era honesta. No final das contas não era ódio, era dizer a a alguém alguma coisa que eles não sabiam, dizer a eles que tinham sorte. Vingança, essa é uma palavra mais apropriada”. Em termos simples, era uma canção muito raivosa, nascida de uma fonte de ira que era em parte muito importante da personalidade incomum de Bob. De fato, “Like a Rolling Stone” poderia ser inclusive interpretada como misógina. O alvo era claramente feminino, e várias pessoas, inclusive Joan Baez, foram sugeridas como a inspiração específica. É mais provável que a canção visasse de modo geral as pessoas que ele percebia como “impostores”. O sucesso duradouro dessa música se deve em grande parte ao sentimento solidário de vingança que ela inspira nos ouvintes. Há uma certa ironia no fato de que uma das canções mais famosas da era folk-rock – uma era associada principalmente a ideais de paz e harmonia – seja sobre a vingança.
“Like a Rolling Stone” foi gravada em Nova York durante uma pequena tempestade de verão em 16 de junho de 1965. Bob Chegou ao estúdio da Columbia com o jovem músico de blues Mike Bloomfield, que tocaria a guitarra solo na faixa. Músico prodigiosamente talentoso, Bloomfield se dava muito bem com Dylan, que nem sempre era o mais fácil dos artistas com quem se trabalhar porque ele não gostava de ensaiar e não falava sobre o que estava fazendo. “Michael sabia que tudo o que Dylan queria era chegar e começar a tocar. Queria que todo o mundo, como se por um passe de mágica, entrasse logo após e tocasse uma música que nunca haviam escutado antes”, diz o amigo dos dois Nick Gravenites. “Michael conseguia identificar imediatamente o que Bob estava tocando, qual era o estilo, qual era o acorde.” O novato Al Kooper, de 21 anos, tinha sido convidado para a sessão por Tom Wilson. Ele teve a audácia de se colocar na frente do órgão Hammond, embora não soubesse tocá-lo. Paul Griffin, que tinha sido contratado para tocar órgão na sessão, foi para o piano. Joseph Mack tocou baixo e Bobby Gregg ficou na bateria. A música começou com o som de estalido seco da caixa de Gregg e rolou por quase seis minutos, como uma corredeira. Bob celebrou a descida rio abaixo de seu tema em quatro versos virulentos que culminavam em crescendos de som e emoção na ponte. “How does you feel”, cantou com ele um júbilo crescente.
Durante o playback, Bob pediu a Tom Wilson que aumentasse o volume do órgão de Kooper na mixagem. “Aí cara, esse sujeito não é organista”, contou-lhe Wilson.
“Olha aqui, não venha me dizer agora quem é organista e quem não é”, retrucou Bob, que estava começando a se cansar de Wilson. Bob estava usando um paletó escuro e a camisa estava abotoada até o colarinho. Em posição de sentido na sala de controle enquanto os outros relaxavam, ele tinha a presença imponente de um general, e agora que era uma genuína estrela ele tinha mesmo autoridade. Bob não fazia necessariamente mau uso de seu poder no estúdio, mas esperava que as pessoas fizessem exatamente o que ele queria. Se não se sujeitassem a seus desejos, estavam fora, como Wilson logo descobriu. “É só aumentar o som do órgão”, ordenou ele.
“Like a Rolling Stone” foi lançada como single em 20 de julho. Embora fosse duas vezes mais longa do que a maioria dos singles da época, com 5 minutos e 59 segundos, o que a tornava inadequada para tocar no rádio, subiu firme nas paradas e, notavelmente, teve enorme influência sobre os outros músicos. “Eu sabia que aquele cara era o cantor mais durão que já havia ouvido”, diz Bruce Springsteen, na época um adolescente de Freehold, New Jersey. John Lennon e Paul McCartney ouviram o disco no dia em que haviam se reunido para compor canções dos Beatles. “Parecia que não acabava mais. Era simplesmente lindo”, diz McCartney. “Bob mostrou a todos nós que era possível ir um pouco mais longe.”*

*Trecho do livro Dylan – A Biografia, de Howard Sounes.

A última turnê do Led Zeppelin

Degenerando Neuronios

Fim dos anos 1970. Robert Plant vinha se recuperava de um acidente automobilístico, chegando a executar alguns takes do álbum Presence (1976) em uma cadeira de rodas.

As críticas negativas em torno do disco também acompanharam a banda por um bom tempo, forçando uma pausa nas apresentações ao vivo (começando em agosto de 1979 e terminando em junho do ano seguinte). Por essas e outras, Robert Plant não se entusiasmou com a ideia de expor o grupo novamente em palcos britânicos ou estadunidenses.

Peter Grant, empresário do Led, agendou poucas datas apenas em alguns países europeus, economizando tempo, equipamento e dinheiro (além de ficar na torcida para que o vocalista se animasse com a estrada novamente).

Degenerando Neuronios

O primeiro show da Tour Over Europe 1980 (ouça abaixo) aconteceu no dia 17 de junho em Dortmund, Alemanha, com apenas 16 faixas no setlist. Destaque para o retorno de “Train Kept A-Rollin” ao setlist, além de alguns números do álbum In Through the Out Door (lançado em agosto do ano anterior).

Setlist
Train Kept a Rollin’
Nobody’s Fault But Mine
(Out On the Tiles intro) Black Dog
In The Evening
Rain Song
Hot Dog
All My Love
Trampled Underfoot
Since I’ve Been Loving You
Achilles Last Stand
White Summer / Black Mountainside
Kashmir
Stairway to Heaven
Rock and Roll
Whole Lotta Love
Heartbreaker

No dia 26 de junho de 1980, o primeiro contratempo da turnê. Robert Plant é atingido no rosto por fogos de artifício disparados da plateia, o que interrompe o concerto por alguns minutos em Viena, Áustria. Abaixo, o áudio completo de “Stairway to Heaven”, gravado na noite do incidente.

Curiosidade: pelo visto as palminhas inconvenientes não são exclusividade dos brasileiros…

Na noite seguinte (27/06/1980) foi a vez de John Bonham desmaiar em pleno palco, na cidade de Nuremberga, Alemanha, depois de apenas três músicas executadas. O motivo teria sido uma “leve” overdose de álcool e drogas (segundo a banda, o baterista tinha apenas comido demais).

Abaixo, a “íntegra” da apresentação interrompida pelo colapso do Bonzo.

Ao todo, foram 13 datas (sendo um show cancelado), em países como Alemanha, Bélgica, Holanda, Áustria e Suíça. O último show da turnê (que também marcaria a despedida do quarteto) aconteceu no dia 7 de julho em Berlim.

O final da história todos sabem de cor e salteado: em 25 de setembro de 1980, após ingerir mais ou menos quarenta doses de vodka, John Bonham é encontrado morto, colocando um ponto final na trajetória do Led Zeppelin.

Abaixo, o último show que contou com Jimmy Page, John Paul Jones, Robert Plant e John Bonham.

0:00 Train Kept A Rollin’
3:16 Nobody´s Fault But Mine
9:57 Black Dog
16:21 In the Evening
25:27 Rain Song
34:20 Hot Dog
38:34 All My Love
45:07 Trampled Under Foot
58:05 Since I´ve Been Loving You
1:11:32 White Summer/Black Mountain Side
1:26:04 Kashmir
1:35:26 Stairway To Heaven
1:51:11 Rock And Roll

A primeira vez do Oasis em São Paulo

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Vinte e um de março de 1998. O Oasis se apresenta no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, um dia depois da estreia dos irmãos Gallagher no Rio de Janeiro. Foi a primeira vez da banda no Brasil, com a turnê de divulgação do álbum Be Here Now, lançado em agosto do ano anterior.

Abaixo, o áudio completo do show.

Setlist
00:00 Be Here Now
05:45 Stand By Me
11:43 Supersonic
17:13 Roll With It
21:54 D’You Know What I Mean?
28:54 Cigarettes & Alcohol
35:43 Don’t Go Away
41:22 Setting Sun / Fade In-Out
53:05 Don’t Look Back in Anger
58:01 Wonderwall
1:02:25 Live Forever
1:07:18 It’s Gettin’ Better (Man!!)
1:14:17 Champagne Supernova
1:26:44 Acquiesce
1:31:05 I Am the Walrus

The Beach Boys e “God Only Knows” (ou a melhor canção já escrita)

Dez de março de 1966. Brian Wilson dá início às gravações de uma das grandes maravilhas da música pop. Composta em parceria com Tony Asher (letrista e coautor de várias faixas do álbum Pet Sounds), “God Only Knows” também apresentou o lado mais espiritual do líder dos Beach Boys, fugindo dos temas surfistas que marcaram os primeiros hits do grupo.

“Tony Asher e eu tentamos escrever algo bem espiritual. Ela [a faixa] tem uma melodia semelhante à canção ‘The Sound Of Music’. Tony veio com o título de ‘God Only Knows’. Eu estava com medo que eles [os executivos da gravadora] banissem a execução nas rádios por causa do título, mas eles não a proibiram”.
– Brian Wilson em entrevista à Goldmine (2011)

A primeira sessão de estúdio (acompanhada pelo engenheiro de som, Chuck Britz, e Brian Wilson na produção) contou com mais ou menos 23 músicos de apoio (todos tocando ao mesmo tempo) e levou 20 takes para ser concluída (extravagância das grandes para a época).

Brian Wilson planejava gravar os vocais de “God Only Knows”. Mas acabou mudando de ideia depois de ouvir as gravações com os arranjos.

“Dei a música para Carl porque eu estava à procura de uma ternura, uma doçura que eu sabia que Carl tinha, assim como sua voz. Ele trouxe dignidade para a música e as palavras, através dele, não se tornaram [meras] letras, e sim palavras”.
– Brian Wilson

Abaixo, o manuscrito original com a letra de “God Only Knows”.

Até então, Carl (o caçula dos irmãos Wilson) raramente liderava o vocal em gravações dos Beach Boys. Na mixagem final, outras duas vozes foram adicionadas à melodia vocal (Bruce Johnston e Brian Wilson, claro).

“Brian usou a técnica de rastreamento na voz de Carl [ou ADT, um sistema que usa gravadores para criar duplicações instantâneas e simultâneas a partir de um determinado som] para dar ao vocal um som mais rico e completo. Brian usou essa técnica muitas vezes durante a gravação de Pet Sounds.
– Bruce Johnston

Abaixo, Annie Hinsche, Carl Wilson e Bruce Johnston.

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Apesar dos esforços, “God Only Knows” foi lançada apenas como lado b do compacto “Wouldn’t It Be Nice” (dois meses depois do álbum Pet Sounds). Pelo menos nos Estados Unidos, o uso da palavra “God” não era muito aceito em canções pop. Ou seja, as rádios podiam sim boicotar o single. Já no continente europeu, a história foi diferente. A crítica se ajoelhou diante de Pet Sounds.

Hoje, “God Only Knows” é considerada uma das músicas mais bonitas de todos os tempos. Paul McCartney já declarou (mais de uma vez) a influência de Brian Wilson e Pet Sounds sobre o álbum Revolver, dos Beatles. Reza a lenda que “Here, There And Everywhere” (ouça abaixo) teria sido inspirada em “God Only Knows”.

“The greatest song ever written”.
– Paul McCartney, sobre “God Only Knows”

Para finalizar, ficamos com um pouco dos bastidores da gravação de “God Only Knows”, ou a melhor canção já escrita. Enjoy.