Oasis e o single “Don’t Look Back In Anger”

Depois do lançamento de (What’s The Story) Morning Glory?, segundo álbum do grupo, o Oasis continuava desfrutando de um sucesso absoluto na Inglaterra. E voltaria a ocupar o topo das paradas musicais com o single “Don’t Look Back In Anger”. Que também apresentou o lado cantor do guitarrista Noel Gallagher.

Tudo começou em uma passagem de som na turnê com o The Verve, quando, por acaso, o vocalista, Liam Gallagher, ouviu o irmão mais velho cantarolando. O próprio Noel explica:

Eu tinha os acordes iniciais da canção e comecei a escrevê-la. Nós iríamos tocar dois dias depois, nosso primeiro grande show de arena, (o lugar) agora se chama Sheffield Arena. Durante a passagem de som eu estava longe, tocando violão, quando Liam perguntou “O que é que você está cantando?”. Eu não estava cantando nada, estava inventando. “Você está cantando ‘So Sally can wait'”, disse Liam, e eu fiquei tipo “Gênio!”. Lembro de voltar para o backstage e escrever tudo. Depois disso tudo veio muito rapidamente, O título (Don’t Look Back In Anger) apenas saiu. Nós escrevemos as frases no camarim e a tocamos naquela noite. Na frente de dezoito mil pessoas, com guitarra acústica. Como um idiota. Nunca faria isso agora.
Quando estávamos indo gravar Wonderwall e Don’t Look Back In Anger, inicialmente eu ia cantar Wonderwall e Liam disse “Eu quero cantar essa!”. Eu disse “Vou cantar uma das duas, você fez a sua escolha”. Aí ele ficou com Wonderwall e eu com a outra.

Liam e Noel Gallagher

Em 1995 o baterista, Tony McCarroll, um dos fundadores do Oasis, foi convidado a se retirar do grupo. Um dos motivos que levaram Noel a perceber que McCarroll não era um bom músico foi justamente “Don’t Look Back In Anger”.

“Don’t Look Back In Anger” foi escrita quarenta anos depois de uma produção teatral chamada “Look Back In Anger”, de John Osborne. O personagem principal se chamava Jimmy Porter e capturava toda a natureza furiosa e a rebeldia daquela geração.

E a tal Sally? Noel garante que não conhece nenhuma garota com esse nome. É apenas uma palavra que se encaixa na música. Segundo o compositor, a faixa seria um cruzamento entre “All the Young Dudes” (Mott The Hoople) e alguma coisa que os Beatles poderiam ter feito.

Já a introdução de “Don’t Look Back In Anger” remete a duas músicas: “Imagine” e “Watching the Wheels”, ambas de John Lennon. Sobre isso, Noel certa vez disse que “cinquenta por cento do que foi colocado ali é para enrolar as pessoas. Os outros cinquenta estão dizendo ‘olha, é assim que músicas como essa acontecem, porque ela são inspiradas em músicas como ‘Imagine’. E não importa o que as pessoas possam pensar, sempre vai ter um garoto de 13 anos que vai ler uma entrevista e o que eu acho de ‘Imagine’. Se ele nunca ouviu a canção, ele pode comprar o disco”.

Finalmente, o videoclipe oficial de “Don’t Look Back In Anger”, do Oasis.

Quando David Bowie compôs “All The Young Dudes”, clássico do Mott The Hoople

Em 1971, o Mott The Hoople era uma banda com quatro discos lançados e um relativo reconhecimento por parte da crítica especializada. Mas o grupo nunca desfrutou do sucesso comercial, e decidiu encerrar as atividades. No ano seguinte, já contando com o término do grupo, o baixista Pete Watts procurou o colega David Bowie para oferecer seus serviços de músico. Ao saber do possível fim do Mott The Hoople, Bowie implorou para que os integrantes não se separassem, e se ofereceu para produzir o próximo disco da banda com duas músicas de sua autoria (entre “Suffragette City” e “All The Young Dudes”, a segunda opção acabou sendo a escolhida).

“Ele quer nos dar isso? Ele deve estar louco!” – Dale Griffin, em entrevista à revista Rolling Stone

O resultado desta generosidade foi o álbum All the Young Dudes, lançado em 1972 pela Columbia. Embalado pela faixa título, que contava com David Bowie no violão e backing vocals, o disco foi o maior sucesso comercial da banda, o único sucesso a figurar no Top 40 britânico. Pouco tempo depois, o Mott The Hoople ainda lançaria outro grande disco antes de decretar oficialmente o fim do grupo.

Mick Ralphs se juntaria a Paul Rodgers e Simon Kirke no Bad Company, enquanto o ex-vocalista Ian Hunter começaria uma bem sucedida carreira solo. Ironicamente (ou não), o Mott The Hoople continua sendo lembrado pelo hit “All the Young Dudes”.

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Em 1992, David Bowie, Ian Hunter e Mick Ronson se uniram aos remanescentes do Queen durante o tributo ao recém-falecido Freddie Mercury para, juntos, interpretarem o hit “All The Young Dudes”. Que você assiste logo abaixo.