O último show dos Ramones na América do Sul

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No dia 16 de março de 1996, os Ramones fizeram aquele que seria último o show do grupo na América do Sul. Após 22 anos de estrada e várias mudanças na formação, Joey, Johnny, Marky e CJ levaram a turnê ¡Adios Amigos! para quarenta e cinco mil pessoas no estádio do River Plate, em Buenos Aires (com Iggy Pop, Die Toten Hosen, Dos Minutos e Attaque 77 como bandas de abertura). No setlist, uma verdadeira viagem pela trajetória do quarteto ao longo de 34 faixas (com exceção de Halfway to Sanity, todos os álbuns foram revisitados, com destaque para Rocket to Russia).

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Abaixo, vocês assistem ao show completo, com transmissão da TV argentina.

Setlist
01. Durango 95
02. Teenage Lobotomy
03. Psycho Therapy
04. Blitzkrieg Bop
05. Do You Remember Rock ‘N’ Roll Radio?
06. I Believe In Miracles
07. Gimme Gimme Shock Treatment
08. Rock ‘N’ Roll High School
09. I Wanna Be Sedated
10. Spiderman
11. The KKK Took My Baby Away
12. I Don’t Want To Grow Up
13. I Just Want To Have Something To Do
14. Sheena Is A Punk Rocker
15. Rockaway Beach
16. Pet Sematary
17. Strength To Endure
18. Cretin Family
19. Do You Wanna Dance?
20. Somebody Put Something In My Drink
21. Surfin’ Bird
22. Wart Hog
23. Cretin Hop
24. R.A.M.O.N.E.S.
25. Today Your Love, Tomorrow The World
26. Pinhead
27. The Crusher
28. Poison Heart
29. We’re A Happy Family
30. My Back Pages
31. 53rd & 3rd
32. Beat On The Brat
33. Chinese Rock
34. Have You Ever Seen The Rain

Observação fundamental: Inicialmente, o show em questão seria o último da carreira dos Ramones, que mudaram os planos aos quarenta e cinco do segundo tempo, esticando a turnê pelos EUA até 6 de agosto do mesmo ano, encerrando de vez as atividades no Palace, em Hollywood, com diversos convidados especiais (Eddie Vedder, Lemmy Kilmister, Tim Armstrong e Lars Frederiksen [Rancid], Chris Cornell e Dee Dee Ramone).

Pink Floyd – Live In Venice (15/07/1989)

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No dia 15 de julho de 1989, o Pink Floyd fez um dos shows mais controversos de sua história, na Praça de São Marcos, em Veneza, Itália. Mesmo com a forte onda de protestos contra a realização do concerto (gratuito e aberto ao público), mais de 200.000 pessoas assistiram à apresentação, que só aconteceu depois de um acordo entre os moradores da região e a produção da banda (o volume do som foi reduzido para não danificar os monumentos históricos locais).

Apesar dos esforços da equipe de David Gilmour, Nick Mason e Richard Wright, o estrago não pôde ser evitado e mais de 300 toneladas de lixo foram deixadas para trás, gerando um verdadeiro caos que resultou na demissão do vereador responsável pela Comissão Cultural de Veneza e a mobilização das forças armadas para a restauração e limpeza da cidade.

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Musicalmente falando, o show foi um grande sucesso, acompanhado por mais de 100 milhões de telespectadores em 23 países diferentes. Mas a cidade de Veneza nunca mais permitiria outro evento de tamanha magnitude em suas ruas.

Abaixo, o áudio completo desse show que podemos chamar de único na carreira do Pink Floyd.

Setlist
01 Shine on you crazy Diamond
02 Learning to fly
03 Yet another Movie
04 Round and Around
05 Sorrow
06 The Dogs of War
07 On the turning Away
08 Time
09 The great Gig in the Sky
10 Wish you were here
11 Money
12 Another Brick in the Wall
13 Comfortably Numb
14 Run like Hell

Uma pequena história sobre “Like a Rolling Stone”, de Bob Dylan

Degenerando

Entre os dias 15 e 16 de junho de 1965, Bob Dylan gravou aquele que talvez seja o seu maior clássico: “Like a Rolling Stone”.

Enquanto a compra de Hi Lo Fi estava sendo efetuada, Bob trabalhava em Nova York na música que talvez seja sua canção mais famosa, “Like a Rolling Stone”. A palavra que usava com maior frequência quando falava da música era “vômito”. O extravasamento de desdém fora como um “vômito”, disse ele, criado como um texto no estilo de Kerouac, “que tinha uma estrutura muito ‘vomitífica’”. Ele também a descreveu, em seu modo obscuro, como “… uma coisa rítmica no papel totalmente sobre meu ódio constante direcionado a alguma coisa que era honesta. No final das contas não era ódio, era dizer a a alguém alguma coisa que eles não sabiam, dizer a eles que tinham sorte. Vingança, essa é uma palavra mais apropriada”. Em termos simples, era uma canção muito raivosa, nascida de uma fonte de ira que era em parte muito importante da personalidade incomum de Bob. De fato, “Like a Rolling Stone” poderia ser inclusive interpretada como misógina. O alvo era claramente feminino, e várias pessoas, inclusive Joan Baez, foram sugeridas como a inspiração específica. É mais provável que a canção visasse de modo geral as pessoas que ele percebia como “impostores”. O sucesso duradouro dessa música se deve em grande parte ao sentimento solidário de vingança que ela inspira nos ouvintes. Há uma certa ironia no fato de que uma das canções mais famosas da era folk-rock – uma era associada principalmente a ideais de paz e harmonia – seja sobre a vingança.
“Like a Rolling Stone” foi gravada em Nova York durante uma pequena tempestade de verão em 16 de junho de 1965. Bob Chegou ao estúdio da Columbia com o jovem músico de blues Mike Bloomfield, que tocaria a guitarra solo na faixa. Músico prodigiosamente talentoso, Bloomfield se dava muito bem com Dylan, que nem sempre era o mais fácil dos artistas com quem se trabalhar porque ele não gostava de ensaiar e não falava sobre o que estava fazendo. “Michael sabia que tudo o que Dylan queria era chegar e começar a tocar. Queria que todo o mundo, como se por um passe de mágica, entrasse logo após e tocasse uma música que nunca haviam escutado antes”, diz o amigo dos dois Nick Gravenites. “Michael conseguia identificar imediatamente o que Bob estava tocando, qual era o estilo, qual era o acorde.” O novato Al Kooper, de 21 anos, tinha sido convidado para a sessão por Tom Wilson. Ele teve a audácia de se colocar na frente do órgão Hammond, embora não soubesse tocá-lo. Paul Griffin, que tinha sido contratado para tocar órgão na sessão, foi para o piano. Joseph Mack tocou baixo e Bobby Gregg ficou na bateria. A música começou com o som de estalido seco da caixa de Gregg e rolou por quase seis minutos, como uma corredeira. Bob celebrou a descida rio abaixo de seu tema em quatro versos virulentos que culminavam em crescendos de som e emoção na ponte. “How does you feel”, cantou com ele um júbilo crescente.
Durante o playback, Bob pediu a Tom Wilson que aumentasse o volume do órgão de Kooper na mixagem. “Aí cara, esse sujeito não é organista”, contou-lhe Wilson.
“Olha aqui, não venha me dizer agora quem é organista e quem não é”, retrucou Bob, que estava começando a se cansar de Wilson. Bob estava usando um paletó escuro e a camisa estava abotoada até o colarinho. Em posição de sentido na sala de controle enquanto os outros relaxavam, ele tinha a presença imponente de um general, e agora que era uma genuína estrela ele tinha mesmo autoridade. Bob não fazia necessariamente mau uso de seu poder no estúdio, mas esperava que as pessoas fizessem exatamente o que ele queria. Se não se sujeitassem a seus desejos, estavam fora, como Wilson logo descobriu. “É só aumentar o som do órgão”, ordenou ele.
“Like a Rolling Stone” foi lançada como single em 20 de julho. Embora fosse duas vezes mais longa do que a maioria dos singles da época, com 5 minutos e 59 segundos, o que a tornava inadequada para tocar no rádio, subiu firme nas paradas e, notavelmente, teve enorme influência sobre os outros músicos. “Eu sabia que aquele cara era o cantor mais durão que já havia ouvido”, diz Bruce Springsteen, na época um adolescente de Freehold, New Jersey. John Lennon e Paul McCartney ouviram o disco no dia em que haviam se reunido para compor canções dos Beatles. “Parecia que não acabava mais. Era simplesmente lindo”, diz McCartney. “Bob mostrou a todos nós que era possível ir um pouco mais longe.”*

*Trecho do livro Dylan – A Biografia, de Howard Sounes.

Oasis, “All Around The World” e a história do single mais extenso a ocupar o topo da parada britânica

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No dia 12 de janeiro de 1998, “All Around The World” foi lançada como single, rapidamente se tornando a canção mais extensa a ocupar o primeiro lugar da parada de sucessos do Reino Unido (no auge de seus 9:38, superando “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin e “Bohemian Rhapsody”, do Queen) – permanecendo no topo entre os dias 18 e 24 do mesmo mês.

A faixa foi uma das primeiras composições de Noel Gallagher para o Oasis, escrita mais ou menos em 1992. Na época, Noel vislumbrava grande potencial nos arranjos (segundo o guitarrista, “All Around The Word” era uma de suas melhores músicas até o momento) e resolveu esperar até que a gravadora (Creation Records) ou a própria banda tivessem os recur$os necessários para a gravação ideal.

Em agosto de 1997, “All Around The World” via a luz do dia através do álbum Be Here Now, com 9:20 de duração (um pouco menor do que a versão do single).

Muita extravagância, orquestra de 36 peças e vários na-na-na-na que lembravam “Hey Jude”. Mas não foi por acaso.

The lyrics are teeny-poppy. But there are three key changes towards the end. Imagine how much better Hey Jude would have been with three key changes towards the end. I like the ambition of it, all that time ago. What was all that about when we didn’t even have our first single out? Gin and tonics, eh?
– Noel Gallagher

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Outras notáveis participações especiais na gravação foram de Meg Matthews e Patsy Kensit (na época esposas de Noel e Liam, respectivamente) nos backing vocals e do gaitista Mark Feltham (por alguma razão, as contribuições de Meg e Pasty ficaram de fora da versão do álbum).

Já o videoclipe, claro, segue a lógica Beatlemaníaca dos irmãos Gallagher, prestando homenagem ao religioso Submarino Amarelo.

Junto com o single, três cultuados B-sides da banda: “The Fame”, “Flashbax” e “Street Fighting Man” (essa última, uma versão de Rolling Stones, a melhor banda de rock do mundo). Foi a última vez que o Oasis soltou três canções como lado b.

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Phil Lesh and Friends – Workingman’s Dead + American Beauty @ Brooklyn Bowl (20/01/2017)

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Phil Lesh e banda concluiram a primeira de três noites no Brooklyn Bowl, ontem (20), em Las Vegas. No repertório, a íntegra dos álbuns Workingman’s Dead e American Beauty, lançados pelo Grateful Dead no início da década de 1970.

A formação do grupo conta com Chris Robinson, Neal Casal, Tony Leone, Adam MacDougall e Ross James (todos integrantes do Chris Robinson Brotherhood, projeto solo do ex-vocalista do Black Crowes).

Assista aos vídeos completos do show, logo abaixo.

Workingman’s Dead set
Uncle John’s Band 0:36
High Time 17:40
Dire Wolf 30:13
New Speedway Boogie 36:00
Cumberland Blues 47:30
Black Peter 57:05
Easy Wind 1:08:32
Casey Jones 1:14:50

American Beauty set
Box of Rain 1:09
Friend of the Devil 10:29
Sugar Magnolia 16:45
Operator 25:15
Candyman 30:45
Ripple 40:43
Brokedown Palace 46:33
Till The Morning Comes 53:00
Attics of My Life 59:43
Encore:
Truckin’ 1:15:00

Uma rápida história sobre o álbum “Led Zeppelin IV”

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O quarto álbum do Led Zeppelin, conhecido como Led Zeppelin IV, foi lançado no dia 8 de novembro de 1971 pela Atlantic Records. As gravações aconteceram em diversas localidades entre dezembro de 1970 e março de 1971. São vários os apelidos do LP (os mais conhecidos são The Fourth Album, Four Symbols, Untitled, The Runes, The Hermit e ZoSo).

Até hoje o disco é o maior sucesso comercial da banda, vendendo aproximadamente 32 milhões de cópias (23 milhões só nos Estados Unidos, se tornando o terceiro disco mais vendido da história do país).

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As sessões de gravação tiveram início no recém-inaugurado Basing Street Studios, da Island Records, em Londres (quando o Jethro Tull trabalhava no futuro clássico Aqualung). Por sugestão dos integrantes do Fleetwood Mac, o Led Zeppelin mudou suas instalações para a lendária Headley Grange, em East Hampshire, fazendo novas gravações no estúdio móvel da melhor banda de rock do mundo, os Rolling Stones.

A ideia de não dar um nome para o LP e sim usar símbolos feitos à mão (cada integrante teria o seu próprio design) partiu de Jimmy Page, que também não quis adicionar informações técnicas no encarte. Uma tentativa de vingança contra a imprensa e as críticas negativas em torno dos três álbuns anteriores da banda.

Image and video hosting by TinyPicA capa

A imagem que vemos na capa é uma pintura a óleo do século dezenove comprada por Robert Plant em uma loja de antiguidades de Berkshire, sudeste da Inglaterra. O desenho foi fixado na parede interna de uma casa demolida e assim saiu a fotografia da capa. A ideia de Plant era fazer um balanço do que já vinha ocorrendo na década de 1970: a devastação da natureza em meio ao caos urbano e a expansão das grandes cidades.

Já a ilustração interna, intitulada The Hermit (também conhecida como View in Half ou Varying Light) é creditada a Barrington Colby, influenciada por cartas do tarô. Reza a lenda que, ao colocar a imagem de frente para o espelho, um rosto pode ser visto entre as rochas, logo abaixo do Eremita (alguns conseguem ver a face de um cão negro, daí a teoria de que seria o “Black Dog” da música).

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Hoje, Led Zeppelin IV consta na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame, além de figurar entre os 500 melhores discos de rock de todos os tempos da revista Rolling Stone (a mesma que, décadas antes, havia massacrado os três primeiros discos do grupo). Três músicas ficaram de fora do tracklist: “Down by the Seaside”, “Night Flight” e “Boogie With Stu” (a última, com participação especial de Ian Stewart, o lendário sexto Rolling Stone). No ano seguinte, as sobras foram lançadas no álbum Physical Graffiti.

Na sequência, algumas curiosidades sobre todas as faixas de Led Zeppelin IV.

Black Dog

Ideia do baixista, John Paul Jones, que, influenciado pelo álbum Electric Mud, de Muddy Waters, criou um blues elétrico a partir de um riff de contrabaixo. O trecho inicial dos vocais, feito a capella por Robert Plant, teve inspiração na faixa “Oh Well”, do Fleetwood Mac (não custa lembrar que, antes de Stevie Nicks e Lindsey Buckingham se juntarem ao grupo, em 1974, o Fleetwood Mac era uma banda de blues psicodélico, liderada pelo guitarrista Peter Green). Com exceção do refrão, todas os versos são cantados por Plant após a pausa dos instrumentos. Uma das mais performances mais memoráveis do vocalista.

Rock And Roll

Mitologicamente criada durante uma jam session, quando a banda improvisava ao som de “Keep a Knockin’”, de Little Richard. Tudo teria sido feito em mais ou menos 15 minutos. A letra foi escrita por Robert Plant, que tentava provar que o Led Zeppelin podia sim fazer rock and roll (o álbum anterior do grupo era basicamente acústico). Nos pianos, Nicky Hopkins (que já tocou com The Who, The Rolling Stones, The Beatles, entre tantos outros).

The Battle Of Evermore

Eis a única canção do Led Zeppelin com participação de outra voz além da do vocalista, Robert Plant, que teria escrito a letra após ler um livro sobre a história da Escócia.

Observação fundamental: Fãs de Senhor dos Anéis e J. R. R. Tolkien, embora Robert Plant também seja admirador de Tolkien, a letra NÃO fala sobre a “Batalha dos Campos do Pelennor” (citada no livro e, posteriormente, no filme).

Além do belo dueto com Plant, Sandy Denny (do Fairport Convention) ganhou seu próprio símbolo no encarte do disco (a cantora foi representada por três pirâmides). Jimmy Page compôs os arranjos usando um bandolim emprestado pelo baixista, John Paul Jones.

Por incrível que pareça, parte da gravacão foi captada pelo engenheiro de som, Andy Johns, com os músicos sentados em frente a uma lareira, tomando chá e tocando bandolim.

Stairway to Heaven

Uma das canções mais famosas de todos os tempos, com um dos solos de guitarra mais famosos de todos os tempos, e por aí vai. Um clássico que, apesar de ser um dos hits radiofônicos mais tocados de todos os tempos, oficialmente nunca foi lançado como single. Algumas estações de rádio tinham apenas o compacto de divulgação da música (um verdadeiro tesouro para colecionadores nos dias de hoje).

Em 13 de novembro de 2007, quando todo o catálogo do Led Zeppelin foi relançado no formato digital, “Stairway to Heaven” alcançou a 37ª posição nas paradas de sucesso do Reino Unido e apesar de seus mais de oito minutos de duração, até hoje é uma das faixas mais tocadas das FMs dos Estados Unidos.

No final da década de 1990, a Monday Morning Replay anunciou que a canção já havia tocado 4.203 vezes (uma vez que o cálculo de execuções segue os padrões AOR). Ou seja, a faixa foi tocada 5 vezes por dia durante seus primeiros 3 meses de existência, duas vezes por dia durante os próximos nove meses, uma vez por dia durante os quatro anos seguintes, e de 2 a 3 vezes por semana nos próximos 15 anos.

Nos EUA existem (ou pelo menos existiam) mais ou menos 600 estações de AOR e Classic Rock. O que significa que “Stairway To Heaven” foi tocada no mínimo 2.874 vezes. Ao oitavo minuto de cada execução, somam-se aproximadamente 23 milhões de minutos. São quase 44 anos dedicados à música. Até agora.

A ASCAP (American Society of Composers, Authors and Publishers) não costuma divulgar números, mas diante desse monstro do rock, não pensaram duas vezes em compartilhar os dados.

Coincidência (ou não), “Stairway” é a única letra no encarte do LP.

Misty Mountain Hop

Atenção, fãs de J. R. R. Tolkien e “Senhor dos Anéis”. As tais “montanhas sombrias” citadas na música ficam no País de Gales, e sim, são uma referência a “O Retorno do Rei”, terceiro volume da série de livros. Mas legal mesmo é o piano elétrico introduzido por John Paul Jones.

Four Sticks

Composta pela dupla Page e Plant em 1970, durante uma viagem à India. A origem do nome é bem simples. John Bonham toca com quatro baquetas, duas em cada mão.

A banda apresentou “Four Sticks” ao vivo apenas uma vez em sua história, na Dinamarca, durante a turnê europeia de 1970.

Nos anos 1990, quando voltaram a excursionar juntos, Page & Plant tocaram a música um milhão de vezes (mas aí não conta).

Os vocais receberam alguns efeitos eletrônicos na produção final. “Supostamente, era pra soar abstrato”. Palavras de Robert Plant.

Going To California

Letra de Jimmy Page, que buscou inspiração em um de seus poemas rabiscados no caderno de anotações. Já os arranjos foram influenciados por Joni Mitchell e uma de suas obras-primas, “California” (lançada em 1971 no álbum Blue). Em algumas das performances ao vivo de “Going To California”, Plant costumava dizer “Joni” após a frase “To find the queen without a king they say she plays guitar and cries and sings”.

When The Levee Breaks

Originalmente gravada pelos blueseiros Kansas Joe McCoy e Memphis Minnie, a letra da última faixa de Led Zeppelin IV tem como base o grande dilúvio de 1927 no Mississippi (Great Mississippi Flood of 1927), que devastou o Estado e algumas áreas vizinhas, além de destruir casas e a economia agrícola da Bacia do Mississippi.

A maior consequência da catástrofe foi a migração forçada de negros e africanos, que acabaram ficando sem trabalho na região. A partir daí, novas e velhas cantigas do delta blues começaram a se popularizar em diversas regiões do país, incluindo “When The Levee Breaks” que, nas mãos do Led Zeppelin, recebeu um tratamento de peso.

É isso.

Patti Smith e o último show do CBGB

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No dia 15 de outubro de 2006, Patti Smith fez o último show da história do CBGB. O clube encerrou as atividades após uma longa disputa entre o proprietário, Hilly Kristal, e o Comitê de Residentes do Bowery (Bowery Residents Committee).

O repertório da apresentação incluiu “Marquee Moon” (Television), “The Tide is High” (Blonde), “Sonic Reducer” (Dead Boys), “Pale Blue Eyes” (The Velvet Underground) e até mesmo um medley de canções dos Ramones, liderado pelo guitarrista Lenny Kaye (que alterou a frase It’s the end of the century, de “Do You Remember Rock ‘n’ Roll Radio?”, para It’s the end of CBGB).

Ironicamente, uma das condições para bandas e artistas que pretendiam se apresentar na casa era justamente priorizar o repertório autoral. Uma belíssima exceção para a poetisa do punk, que tocou durante três horas, reverenciando o maior número possível de grupos que iniciaram suas trajetórias no palco do CBGB.

Abaixo, uma sequência de vídeos gravados na despedida do lendário clubinho.