O impacto da Allman Brothers Band no Fillmore East, em Nova Iorque

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Alan Arkush: A gente não sabia nada dos Allman Brothers. Só que iam abrir pro Blood, Sweet and Tears no fim de dezembro de 1969. Ninguém tinha ouvido falar deles. O álbum ainda não tinha sido lançado. Mas a capa do disco já estava no lobby do Fillmore East. Era uma foto de uns caras de pé, pelados num riacho, e a gente pensava: “Que bando de caipiras malucos”. O típico cinismo nova-iorquino. E, para piorar, eles se atrasaram para a passagem de som. Um pecado mortal. A gente esperou e esperou. Ninguém sabia que eles estavam vindo da Georgia pela estrada. Aí uma van parou e eles saíram carregando amplificadores. Devia ser a primeira vez deles em Nova Iorque. Uns caipiras com uns amplificadores Marshall todos ferrados, horroroso. A gente pensava: “Esses caras vão ser uma coisa de louco. Tomara que eles não fiquem pelados”. John Noonam perguntou: “Vocês vão ficar de roupa no show de hoje?”.
Eles começaram a tocar “You Don’t Love Me” e “One Way Out” na passagem de som e as pessoas saíram dos escritórios. Todo mundo parou de trabalhar e ficou lá, de pé, falando: “Uau. Esses caras são mesmo de verdade”. Eles tocaram quatro sets de quarenta e cinco minutos naquele fim de semana, e a gente sempre queria mais. Achamos eles fabulosos.

Alan Arkush: A vez seguinte em que eles apareceram no Fillmore East foi em setembro. Tocaram com Van Morrison e os Byrds para um show de TV que a WNET fez para a PBS. A essa altura, Idlewild South já tinha sido lançado. E aí voltaram mais uma vez em março de 1971 para gravar o álbum ao vivo. (…) Lembro que eu fui para o camarim e havia grandes jarras de vinho e um envelope cheio de tabletes de mescalina, presente deles, e um bilhete que dizia: “Aqui está, vamos ter uma boa noite”. É o álbum Live at Fillmore East, que tem “Eat a Peach”. Foram tão bons que fizeram o primeiro show como se fosse o último show de sexta. Johnny Winter inverteu a ordem. Disse que precisava pegar um avião. Mas, na verdade, ele não ia conseguir superar os caras.
Os shows de sábado, tanto no primeiro quanto no segundo, talvez tenham sido os melhores shows dos Allman Brothers que eu vi. E também uma das melhores apresentações ao vivo que já vi na vida.

Bill Graham: A banda já tinha se apresentado para mim como banda de abertura nos Fillmores. Na época em que ainda eram Hourglass. Quando o Dead e os Allman Brothers tocaram juntos no Fillmore East, foi o fino do rock. Lembro que os Allman Brothers entraram no palco à uma e meia ou duas da manhã para tocar o segundo set. Acabaram lá pelas quatro da manhã e a plateia foi ótima. Eles tocaram o bis, Duane e Gregg saíram do palco e falaram: “Nossa, Bill, a gente sempre se atrasa”.
E eu: “Se quiserem tocar, podem tocar”.
Eles voltaram para o palco. Eu falei para Michael Ahearn: “Coloque as luzes bem suaves, ligue o globo de espelhos devagar. As luzes do palco devem ficar no nível do chão, sem alteração”. Eles fizeram isso e apareceram estrelinhas de luz em todo canto quando a banda começou a tocar. Cada música tinha uns quarenta minutos de duração. Eu estava sentado cochilando nos bastidores e o show não parava, ninguém ia embora. Dickey Betts, Duanne e Gregg fizeram grandes riffs e não pararam de tocar.
Eles terminaram o show e a plateia aplaudiu efusivamente. Como se tivessem acabado de fazer uma excelente refeição. Alguém abriu a porta lateral da casa e a luz do dia começou a entrar.

Allan Arkush: Tinha nevado e o chão estava coberto. Ficamos lá tanto tempo que dava pra ver os feixes de luz entrando pelas portas abertas, por causa da fumaça que enchia o lugar.

Bill Graham: Eu olhei para o relógio e eram sete e cinco. Duane virou, olhou para mim e disse: “Ei, Bill… É como sair da igreja, não é?”.

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– Trecho do livro Bill Graham Apresenta: Minha Vida Dentro e Fora do Rock, de Bill Graham e Robert Greenfield.

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