O primeiro show do R.E.M.

No dia 5 de abril de 1980, o R.E.M. fazia seu primeiro show. E não foi uma estreia qualquer. O grupo, formado por Peter Buck, Michael Stipe, Mike Mills e Bill Berry, se apresentou em uma festa de aniversário, na mesma igreja abandonada que servia como estúdio improvisado para os primeiros ensaios da banda.

Na época, o quarteto (que ainda atendia por Twisted Kites) dedicou quase metade de seu repertório aos mais variados tipos de versões (Sex Pistols, Jonathan Richman, Velvet Underground, entre outros clássicos). Abaixo, o cartaz oficial do show.

Assim nascia uma história de 31 anos e 15 álbuns de estúdio lançados. Não é à toa que o R.E.M. costuma ser apontado como um dos principais pioneiros do rock alternativo oitentista, fruto direto do pós-punk garageiro.

Abaixo, o possível setlist do primeiro show, na St. Mary’s Episcopal Church, em Athens, Geórgia, terra natal da banda.

Primeiro set
1. “I Can’t Control Myself”
2. “God Save The Queen”
3. “Narrator”
4. “Just A Touch”
5. “Baby I”
6. “Action”
7. “Needles And Pins”
8. “Hippy Hippy Shake”
9. “There She Goes Again”
10. “All The Right Friends”
11. “Shakin’ All Over”
12. “Secret Agent Man”
13. “A Girl Like You”
14. “Permanent Vacation”
15. “I Can Only Give You Everything”
16. “Dangerous Times”
17. “Different Girl”
18. “Mystery To Me”
19. “(I’m Not Your) Steppin’ Stone”
20. “Lisa Says”
21. “Nervous Breakdown”
22. “Schéhérazade”

Segundo set
1. “Honky Tonk Women”
2. “One Nation Under A Groove”
3. “Roadrunner”
4. “California Sun”
5. “Gloria”

E com a ajuda dos membros da comunidade da Sinewave no Facebook, finalizamos com uma série de grandes clássicos do R.E.M. em todas as suas fases. Enjoy.

“It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)” – Débora Cassolato

“Houve uma época que eu inventei de decorar o raio da letra dessa música, e até hoje não sei como aquele homem respirava”.

“Turn You Inside Out” – Renato Malizia

“The Great Beyond” – Cleiton Borghi

“Além de servir como trilha para O Mundo de Andy, que eu assisti em uma época muito boa da minha vida (com a presença constante da música em questão), a faixa ainda fala sobre destino e suas incertezas diante das nossas vontades. Sem contar que a música tem uma pegada sensacional.”

“Crush With Eyeliner” – Mariângela Carvalho

“Pop Song 89” – Fabio Bridges

“A primeira vez que fui no espaço Retrô tinha 13 ou 14 anos, e estava maravilhado com tudo aquilo. Aí me deram algo pra beber e a última coisa que me lembro foi ver esse clipe na tela, em algum momento da madrugada.”

“Drive” – Filipe Albuquerque

“Leave” – Elson Barbosa

“Uma melodia serena e triste. Uma letra introspectiva sobre partidas e pequenas coisas que se deixam para trás. A longa faixa – mais de sete minutos, algo não muito comum na discografia da banda – impressiona. Mas a maior ousadia não está na duração, e sim no efeito de guitarra em loop, lembrando uma sirene, cobrindo todo o arranjo de uma forma desconcertantemente genial. É intrigante. Qual a razão de se estragar uma faixa tão perfeita? Uma forma de provocação, um protesto avant-garde? Uma aproximação ao experimentalismo? Não importa. É esse efeito de sirene que simboliza a genialidade da banda em transpor pequenos limites.”

“Nightswimming” – Bruno Capelas

“Quando vi o R.E.M. ao vivo, em 2008, em São Paulo, eu não era tão fã da banda quanto sou hoje. E talvez por isso não tenha prestado atenção em ‘Nightswimming’, passando a música toda conversando com um dos meus melhores amigos. Ironicamente, meses depois me tornei um ouvinte maníaco do Automatic for the People, e ‘Nightswimming’ foi a canção tema de uma viagem adolescente inesquecível que fiz com alguns amigos (incluindo o parceiro de conversa) para a praia, no verão de 2009 – quando passávamos os dias dormindo e as noites conversando no mar. Depois disso, toda vez que ouço essa música, fico arrepiado da cabeça aos pés, os olhos embargam e eu tenho que disfarçar um cisco no olho. (Nos meus sonhos delirantes, quero um dia ainda escrever um romance sobre a adolescência. Título ele já tem: ‘Nadar à Noite’).”

“Orange Crush” – Marcelo Carreira

“Radio Free Europe” – Alessandra Lehmen

“Fall On Me” – Mauricio Machado

“Everybody Hurts” – Thiago Vandré

“Eu tinha uns 17 anos e estava em uma fase esquisita, de transição no modo de pensar a vida, e a música fez parte disso. ‘Everybody Hurts’ tinha sido lançada oito anos antes, mas a ouvi em uma trilha sonora de algum filme que não lembro o nome (lembro que era algo bem obscuro, passou em uma das madrugadas da Rede Globo, e contava a história de uma menina drogada que tentava sair desse submundo), mas que fazia forte sentido para mim, me fazendo meio que tomar um rumo sobre minhas preferências na música e na vida. Parece bobeira, piegas, pequeno, simplório, mas teve um grande significado para mim. Por isso, não só é a música do R.E.M. que eu mais gosto como, bem provável, talvez seja a música da minha vida, sem exagero. Nunca canso de ouvir.”

“Imitation of Life” – Raul Ramone

“Losing My Religion” – João Henrique Bonillo

“Sei que é a mais famosa deles, mas essa música me abriu os olhos. Na época da minha adolescência, eu era um desses roqueiros que achavam que a boa música havia morrido na década de 1970 até, um belo dia, a santa MTV resolveu passar o clipe de ‘Losing My Religion’ e os caras me fisgaram de jeito. Apesar do R.E.M. não ser uma das minhas bandas favoritas, eles foram um dos pilares do meu gosto musical.”

“The Sidewinder Sleeps Tonite” – Fernando Augusto Lopes

“Academy Fight Song” – Amanda Mont’Avão

“O R.E.M. chamou para si o registro de uma música que a banda admirava muito: ‘Academy Fight Song’, do Mission of Burma. O cover foi gravado em 89, em um especial de Natal para os fãs, e resultou em uma releitura bem autoral, com um grande apelo ao teclado (a marca registrada original era o baixo pungente de Clint Conley). Por anos, boa parte do público imaginou que a canção fosse deles, como aquela história de o Bowie ser cumprimentado por fazer um ‘cover’ do Nirvana cada vez que ele tocava ‘The Man Who Sold the World’.”

“What’s the frequency, Kenneth?” – Luiz Espinelly

“Essa tem uma linha de guitarra que acho muito legal, meio diferente do que eles costumam fazer, mais voltado pro rock. E a letra fala sobre alguém que não entende a juventude, tenta ler procurando em todos os detalhes e não consegue, o que eu considero genial, já que, quando se é jovem, existe a sensação de que não há a possibilidade da compreensão, por isso a música soa bem verdadeira.”

“Talk About the Passion” – Djair da Cruz

“Me trás ótimas lembranças da época que eu fazia estágio. No caminho de volta pra casa, sempre escutava o Murmur, e esta era a canção que mais me emocionava. A segunda me causa espanto até hoje, com seu arranjo simples, porém lindíssimo. Música pop perfeita.”

“Country Feedback” – Junior Passini

“Sempre achei ‘Country Feedback’ uma das músicas mais melancólicas do REM. As palavras desconexas, descrições de dor, arrependimento, culpa. Uma das especialidades do Michael Stipe. Até saber que a música tem como pano de fundo a morte do River Phoenix, um dos melhores amigos do vocalista. Isso só deixou a coisa maior ainda.“

Que tal ouvir tudo de uma vez?

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